CARTA MISSIONÁRIA – Janeiro 2014 (173ª.) Imprimir E-mail
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“Vi então um novo céu e uma nova terra. Pois o primeiro céu e a primeira terra passaram, e o mar já não existe... Ele enxugará toda lágrima dos seus olhos. A morte não existirá mais, e não haverá mais luto, nem dor, porque as coisas anteriores passaram. Aquele que está sentado no trono disse: “Eis que faço novas todas as coisas” (Ap 21, 1.4-5).

 

Meus sempre amados imãos e irmãs, pacientes leitores e leitoras, a todos desejo que neste início de um novo ano e em todos os seus dias, se renovem a alegria do encontro com Jesus e a de mostrá-lo ao mundo:

 

Todos os inícios de ano – e não é diferente neste de 2014 – ouvimos e almejamos, quem sabe até sem que se perceba seu alcance e, portanto, inconscientemente – “tenha um feliz e próspero ano novo!” E porque digo “até inconscientemente”? Simples: porque estes votos e desejos nascem de uma mentalidade alimentada por uma cultura do ter, do acumular bens materiais e perecíveis com um forte cheiro de mercantilismo. E no nível religioso, de onde provem esta expressão? Sem dúvida, da chamada “teologia da prosperidade” ou, se se preferir do “Evangelho da prosperidade”, presente, sobretudo, nos chamados países de “primeiro mundo” onde prevalece o bem-estar gerado pela convicção de que  a bênção financeira ou a prosperidade nos negócios são o desejo de Deus para os cristãos e que quanto mais o fiel contribuir para sua igreja tanto mais acumulará riquezas por conta das bênçãos de Deus. Seria uma espécie de contrato de troca entre Deus e os fieis, assegurando que Deus cumprirá sua promessa de segurança e prosperidade material: “eu dou para que me dês”!

Mas, para nós cristãos católicos, que significado tem o início de um novo ano, de um novo tempo? E como poderemos iniciá-lo? Uma resposta fundamental está na citação “apocalíptica” acima, que  poderá estar presente também neste momento da história enriquecida pela vivência num clima de autêntica “novidade evangélica” porque não poderíamos deixar de entrar não apenas num novo ano, mas num novo tempo de Igreja, numa caminhada de revisão profunda e de renovação da própria Igreja Católica e da nossa renovada adesão a Jesus e do pleno seguimento de suas pegadas neste tempo novo. Para isso nos convoca e nos ajuda o nosso novo Papa Francisco que acaba de nos presentear com sua primeira Exortação Apostólica, a  “Evangelii Gaudium”, traduzida por “A Alegria do Evangelho” (EG)[1].

1. Nada mais oportuno, portanto, que neste novo tempo, neste novo ano, neste novo horizonte eclesial, iniciemos nossas Cartas mensais e nossas reflexões em torno das orientações pastorais do Papa Francisco que transmite à Igreja não só orientações,  mas, acima de tudo, um edificante testemunho de vida. Reflexões que toda a Igreja – paróquias, comunidades, movimentos eclesiais – deve assumir. E aqui vai uma insistente referência ao nosso Movimento de Cursilhos, comprometidos que estamos em sua concretização no dia a dia da vivência de nossa fé. Se não o fizermos, logicamente nos colocaremos fora da comunhão eclesial. Cito algumas expressões do Papa que poderão nos enriquecer e encaminhar nossas decisões.

2. Uma Igreja que vive, renova e comunica a alegria do encontro. O sorriso espontâneo e aberto de Francisco já está insinuando a alegria que ele quer para uma Igreja renovada e  comunicadora do encontro com Jesus. Não sem razão, sua primeira Exortação Apostólica começa manifestando alegria: “A ALEGRIA DO EVANGELHO enche o coração e a vida inteira daqueles que se encontram com Jesus. Quantos se deixam salvar por Ele são libertados do pecado, da tristeza, do vazio interior, do isolamento. Com Jesus Cristo, renasce sem cessar a alegria. Quero, com esta Exortação, dirigir-me aos fiéis cristãos a fim de os convidar para uma nova etapa evangelizadora marcada por esta alegria e indicar caminhos para o percurso da Igreja nos próximos anos” (EG 1). E, ainda: “Convido todo o cristão, em qualquer lugar e situação que se encontre, a renovar hoje mesmo o seu encontro pessoal com Jesus Cristo ou, pelo menos, a tomar a decisão de se deixar encontrar por Ele, de  O procurar dia a dia sem cessar. Não há motivo para alguém poder pensar que este convite não lhe diz respeito, já que «da alegria trazida pelo Senhor ninguém é excluído” (EG 3).

Pergunta para reflexão: você e seu grupo encontram-se dispostos a viver a alegria sempre renovada da Boa Notícia de Jesus ou, como diz o Papa, vivem caindo naquela “tentação que sufoca o fervor e a ousadia levando à sensação de derrota que nos transforma em pessimistas lamurientos e desencantados com cara de vinagre?”

3.“Uma Igreja em ‘saída’”.  Francisco abre o Capítulo I da EG com um titulo ousado: “A transformação missionária da Igreja” e, logo no primeiro parágrafo: “Uma Igreja em ‘saída” afirma: “Na Palavra de Deus, aparece constantemente este dinamismo de “saída”, que Deus quer provocar nos crentes. Abraão aceitou a chamada para partir rumo a uma nova terra (cf. Gn 12, 1-3). Moisés ouviu a chamada de Deus: “Vai; Eu te envio” (Ex 3, 10), e fez sair o povo para a terra prometida (cf. Ex 3, 17). A Jeremias disse: “Irás aonde Eu te enviar” (Jr 1, 7). Naquele “ide” de Jesus, estão presentes os cenários e os desafios sempre novos da missão evangelizadora da Igreja, e hoje todos somos chamados a esta nova “saída” missionária. Cada cristão e cada comunidade há-de discernir qual é o caminho que o Senhor lhe pede, mas todos somos convidados a aceitar esta chamada: sair da própria comodidade e ter a coragem de alcançar todas as periferias que precisam da luz do Evangelho” (EG 20).

Pergunta para reflexão:  ao refletir sobre estas palavras do Papa, você e o grupo do qual você, eventualmente participa, podem, em sã consciência, considerar-se fieis à Igreja se continuam fechados em suas reuniões, assembleias, encontros, etc.(que são úteis à medida que servem de preparação para a ação missionária) e, sobretudo no caso do Movimento de Cursilhos, seus participantes  se não  “saem” em “pequenas comunidades de fé” nos seus respectivos ambientes? Ou ainda creem que a presença de um só já será suficiente para atingir com eficácia, evangelicamente falando, todo um ambiente?

4. Uma Igreja “acidentada e ferida”: a meu limitado juízo seria essa a expressão mais instigante, mais impressionante e repetida inúmeras vezes pelo Papa Francisco sobre o que se espera da Igreja: “Saiamos, saiamos para oferecer a todos a vida de Jesus Cristo... Prefiro uma Igreja acidentada, ferida e enlameada por ter saído pelas estradas, a uma Igreja enferma pelo fechamento e pela comodidade de se agarrar às próprias seguranças. Não quero uma Igreja preocupada com ser o centro e que acaba presa num emaranhado de obsessões e procedimentos” (EG 49).

Pergunta para reflexão: você ou seu grupo já estão dispostos a ferir e enlamear os seus pés ao “sair do seu fechamento e comodidade” para a missão evangelizadora?

Nas próximas Cartas, assim dispondo-o o Senhor, continuaremos a análise – ainda que não tão profunda – de algumas das expressões usadas pelo Papa Francisco na EG.

Ao desejar a todos mais um fecundo ano missionário, com a presença de Maria, deixo um lembrete: sem uma mentalidade renovada jamais haverá uma Igreja renovada, evangelizadora e alegre!

Pe. José Gilberto BERALDO

Equipe Sacerdotal do GEN

MCC Brasil

[1] Exortação Apostólica EVANGELII GAUDIUM, Papa Francisco, 24 de novembro de 2013

 



 

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